Cunha pede ao STF quebra de seu próprio sigilo telefônico e o de Lobão
Alan
Marques/Folhapress
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GABRIEL MASCARENHAS
DE BRASÍLIA
DE BRASÍLIA
O presidente da Câmara afastado, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a quebra de seu sigilo
telefônico e o do senador Edison Lobão, investigado pela Operação Lava Jato.
A petição foi apresentada na sexta-feira (24) pela
defesa do parlamentar fluminense no processo em que ele é acusado de pressionar
o empresário Julio Camargo para retomar o pagamento de propina a Cunha.
Camargo assinou acordo de delação premiada e
afirmou que deputados aliados do peemedebista apresentaram requerimentos em
comissões da Câmara pedindo informações a autoridades sobre a empresa Mitsui,
prestadora de serviços da Petrobras e com quem Camargo mantinha negócios.
A Folha revelou em abril de 2015
que o nome "dep. Eduardo Cunha" aparece como autor dos arquivos de
computador em que eles foram redigidos.
Ouvido pelos investigadores, Camargo contou ainda
ter desembolsado US$ 5 milhões em suborno para Cunha, por meio
do lobista Fernando Baiano.
Na peça assinada pelos advogados do deputado
afastado, Cunha diz que a quebra dos sigilos telefônicos dele próprio e de Lobão
poderá comprovar que Julio Camargo mentiu em seus depoimentos.
Camargo relata que, sentindo-se chantageado pelos
requerimentos, pediu ajuda a Lobão, à época Ministro das Minas e Energia.
Segundo o delator, num encontro na Base Aérea do
Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o então ministro disse que a
estratégia de pressão via Câmara estava sendo capitaneada por Cunha e que, em
seguida, Lobão ligou para o parlamentar fluminense na frente de Camargo.
"Esse fato é falso. Justamente por isso o
Ministério Público Federal não produziu nenhuma prova de que tal ligação tenha
ocorrido, tendo-se limitado a pedir a relação de placas que entraram na Base
Aérea. A suposta entrada de pessoas em um local não faz prova do que as pessoas
fizeram nesse local", argumenta a defesa.
Os advogados pedem a violação do sigilo referente
ao dia em que o empresário e o senador se encontraram no aeroporto do Rio.
Na peça, Cunha contesta a versão de que tenha sido
o responsável pelos requerimentos, pede acesso aos depoimentos de todos os
delatores que fizeram-lhe acusações e lista uma série de deputados que
integravam sua tropa de choque para serem ouvidos como testemunhas no processo.
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