Políticos acossados: população quer mudar tudo e
todos
8 de junho de 2016
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Os políticos brasileiros estão sem saída. A
população quer mudar tudo e todos. Foi o que pensei ao ler a pesquisa CNT/MDA
de junho, a primeira que avaliou o governo Temer.
Não é tanto a impopularidade do governo – apenas
11% de ótimo/bom, mesmo índice de Dilma em fevereiro – que chama a atenção. Nem
tão pouco o fato de um terço (30%) dos brasileiros ainda não saber avaliar
Temer. Mas a pergunta sobre corrupção.
Para 66% dos brasileiros a corrupção no governo
Temer será igual (47%) ou maior (19%) do que a ocorrida no governo Dilma. O
índice de ceticismo alarma para um governo recém-iniciado em meio a uma longa
cruzada anticorrupção no país.
Outro sinal de desencanto trazido pela pesquisa
CNT/MDA é o que mostra que para a maioria (55%) o governo atual é igual
ao passado, se não pior (15%). Ou seja: para a população o governo interino tem
ares de mais do mesmo. Em uma conjuntura na qual a opinião pública e o
eleitorado clamam por mudanças (há tempos, diga-se).
Não que Dilma se beneficie disso, pelo contrário.
Para 62% o impeachment foi correto e legítimo (61%).
Com relação à antecipação de eleições, a população
está dividida: metade a favor e metade contra. Mas para votar em quem? De Lula
a Bolsonaro, passando por Aécio, Serra e Marina, os virtuais candidatos
apresentam uma consistência de gelatina. Lula venceria no primeiro turno (22%),
é verdade, mas não levaria em nenhum cenário de segundo turno. Nas projeções de
Aécio X Temer, Aécio X Marina, Lula X Temer ou Marina X Temer, quem ganharia
seriam os votos NULO/BRANCO.
Já Temer, que por graça divina chegou lá, em uma
eleição de verdade teria esquálidos 6% dos votos.
Junte-se isso tudo a outros dados de pesquisas
anteriores – o de que corrupção é o principal problema do país e a rejeição (7
em cada 10 brasileiros) aos partidos atuais – e se chega à conclusão que para a
população a política tal e qual feita hoje acabou. Faliu.
Antes
de encerrar, outros dados do levantamento: Aumentou o número de pessoas
desempregadas que pararam de procurar trabalho. Entre os empregados, aumentou o
temor do desemprego. Para 27% dos brasileiros a situação do emprego vai
melhorar nos próximos seis meses e para 33% vai piorar. Para 57% ‘gerar
empregos’ deve ser ação prioritária do Governo (não à toa Temer vem falando
nisso desde o discurso de posse em maio).
