Marcos
Valério negocia delação premiada e diz poder entregar 20 nomes
Proposta do
operador é entregar ao MP-MG nomes e novos detalhes sobre os escândalos do
mensalão do PSDB e do PT
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Estadão Conteúdo
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[20/06/2016]
Em mais uma tentativa de fechar um acordo de delação premiada, o
operador do mensalão Marcos Valério entregou na semana passada ao Ministério
Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG) uma proposta de colaboração para
revelar novos detalhes sobre os escândalos do mensalão do PSDB e do PT. O
advogado Jean Robert Kobayashi Júnior, escalado para negociar a proposta,
afirma que Valério deve entregar cerca de 20 nomes, incluindo parlamentares com
foro privilegiado de diversos partidos, e nomes envolvidos nos escândalos
investigados na Lava Jato, a quem a defesa de Valério encaminhou uma proposta
de colaboração no ano passado.
Da negação à delação: as várias fases de Odebrecht no ano que passou
preso
Há três anos preso na região metropolitana de Belo Horizonte, Valério
pegou a maior pena entre os condenados no histórico julgamento do STF e cumpre
37 anos de prisão por corrupção ativa, peculato, evasão de divisas e lavagem de
dinheiro. A interlocutores, ele tem dito que “cansou de apanhar” e que “agora
vai começar a bater”. Valério está na penitenciária Nelson Hungria, em
Contagem, onde trabalha para descontar dias de sua pena.
A expectativa dele
era de conseguir ir para o regime semiaberto em um ano e meio, mas ele ainda
está prestes a ser julgado por envolvimento no mensalão mineiro, pela Justiça
estadual, e também já foi alvo de uma denúncia da Lava Jato perante o juiz
Sérgio Moro, em Curitiba, o que pode, na prática, impedir que ele deixe o
regime fechado. Seu interrogatório na ação penal que responde no mensalão
mineiro está marcado para o dia 1º de julho.
Diante disso, no
ano passado, a defesa de Valério, sob responsabilidade do criminalista Marcelo
Leonardo, encaminhou uma proposta de delação à força-tarefa da Lava Jato em
Curitiba, que avalia os termos. Agora, com um advogado somente para a negociar
a colaboração, o operador do mensalão promete contar mais detalhes também sobre
o esquema operado por ele que financiou o caixa dois da campanha à reeleição do
ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo ao governo de Minas em 1998 e que pode também
ter envolvido outras pessoas e políticos na década de 1990. Como o mensalão
mineiro é investigado pela Justiça Estadual, essa nova proposta foi encaminhada
ao Ministério Público do Estado.
A lei que define as
organizações criminosas (12.850, de 2013) estabelece que a colaboração com a
Justiça pode ser feita a qualquer tempo e independe de uma condenação anterior,
desde que a colaboração resulte em resultados como a identificação de coautores
e partícipes da organização criminosa e dos crimes; revelação da estrutura
hierárquica e da divisão de tarefas da organização, entre outros.
Marcelo Leonardo
continua a defender Marcos Valério nas ações penais e informou que não iria
comentar sobre as eventuais tratativas de delação de seu cliente. O Ministério
Público de Minas Gerais confirmou que recebeu proposta de delação, e avalia se
o operador do mensalão pode trazer fatos novos para as investigações.
