Dependência em internet pode causar
depressão e transtornos, como nomofobia
Sinais
(e sintomas) dos novos tempos: o que o vício na internet pode causar Foto:
Marcelo Piu / Agência O Globo
Elisa Clavery
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Às vezes, você pode jurar que
sente o celular vibrando, e até tocando, no bolso da calça. Quando olha, não é
nada. Se a bateria acaba, chega logo a ansiedade,
acompanhada de irritação, angústia e até a decisão de voltar mais cedo para
casa, só para carregar o aparelho. Pouco antes de dormir, com o smartphone na
mão, o tempo voa. E você nem percebe. Os sintomas podem ser de dependência pela
internet — distúrbio recente, pouco estudado, mas que pode evoluir para
problemas graves, como depressão e ansiedade.
— Qualquer padrão de compulsão,
seja para droga, alimento ou internet, envolve um neurotransmissor chamado
dopamina. Com a falta dele, os sintomas de abstinência aparecem, até para os
dependentes da web. Ele começa a ter agressividade, agitação, tensão,
taquicardia, dor de cabeça, mudança de percepção — explica a neurologista
Vanessa Muller, diretora da clínica VTM Neurodiagnóstico.
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Apesar de atingir pessoas de
todas as idades, o vício pela internet costuma acometer os mais ansiosos e com
tendências à depressão. Para a psiquiatra Vivian Machado, especialista em
dependência química, o mundo virtual torna-se uma fuga da realidade — o
problema é que isso pode virar um ciclo e diminuir, ainda mais, as chances de
socialização:
— O uso da internet passa a
distrair o usuário de uma situação difícil da vida real, tentando compensar
baixa autoestima, falta de habilidade social e até transtornos psiquiátricos —
diz a especialista.
Mas nem todo mundo que passa
muito tempo na internet é um viciado no meio. O que caracteriza o vício não é,
necessariamente, a quantidade de horas, mas o efeito sobre o usuário.
— Tem pessoas que passam várias
horas em frente ao computador, fazendo um curso online, por exemplo, sem ser um
dependente. A dependência digital requer uma perda da capacidade laboral, da
socialização ou outro tipo de prejuízo. A pessoa passa a se sentir mal sem
aquele estímulo — explica Vanessa.
Tratamento pode ser feito com terapia
Quando o uso da internet afeta
negativamente a vida social ou o rendimento no trabalho, por exemplo, é hora de
buscar ajuda de um profissional. O paciente precisa ser avaliado por um médico
ou psicólogo, para entender quais condições podem estar por trás do vício —
como transtornos compulsivo ou de ansiedade, déficit de atenção e depressão.
— Precisamos ter consciência de
que, sozinhos, não conseguimos nos controlar. Hoje em dia, a melhor abordagem
para esse tipo de transtorno é através da terapia cognitiva comportamental, que
vai trabalhar na identificação de situações de vulnerabilidade, das emoções e
dos comportamentos envolvidos na dependência — explica a psicóloga do Hospital
Caxias D’Or, Teresa Éder.
A neurologista Vanessa Muller
explica que há casos que precisam de medicação:
— Geralmente, o tratamento se
baseia em ansiolíticos, para diminuir a ansiedade dos dependentes, e
antidepressivos, além das terapias comportamentais.
